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Acho que não tinha pior coisa pra eu ouvir naquele momento. Eu já tinha percebido que minha chefe não me queria de volta no departamento - hoje eu vejo como isso contribuiu pra que eu afundasse mais ainda - mas eu não aceitava isso, não queria enxergar. Naquela hora, todo o esforço que eu fiz pra voltar de cabeça erguida foi substituído pela lembrança das humilhações que eu passei, injustiças, pela esquizofrenia que era o trabalho antes de eu me afastar. A esquizofrenia a que me refiro não era só direcionada a mim, que fique claro - o ambiente estava doente. Não fui a única a cair em depressão e tinha um número razoável de pessoas tomando antidepressivos e/ou ansiolíticos.
Meu terapeuta sempre falava que eu sou ingênua, confio nas pessoas, parto do princípio que as pessoas são do bem, estão sempre bem intencionadas. Eu gosto de ser assim - meio poliana, ok, mas eu não consigo mudar provavelmente porque eu não quero. Eu tenho consciência de que fiz muitas escolhas - erradas - que me trouxeram pra essa merda que eu estou. Eu acho que a gente escolhe a esmagadora maioria das coisas que nos acontecem - em nenhum momento eu entrei nessa de "por que eu?". Eu sabia que eu tinha aprontado alguma para estar aqui, só não sabia o quê. Em primeiro lugar, eu sou espírita e sei que tudo acontece por um motivo - por isso já não é do meu feitio ficar me lamentando (nessas de "por que eu") e, quando me faço de vítima, fico morrendo de raiva de mim depois. Bom, justamente por ser ingênua por um lado e muito exigente por outro, demorei mais de 2 anos (depois da crise) pra perceber como algumas dessas escolhas erradas me afetaram, como eu abri a porta pra essa doença grudar em mim. Só que eu empaquei. Por isso parei também com a terapia, conto mais pra frente. Pode ser que por causa disso eu nunca supere, nunca consiga lidar com determinados assuntos. Paciência - agora eu realmente não sei o que fazer.
Voltando à história. Pra completar, o RH não deu nenhum apoio - nem pra mim, nem pro departamento. Minha chefe e a outra gerente haviam tido a idéia de um projeto para eu desenvolver em outra área do departamento (não na que eu trabalhava antes). Certamente eu não fui a única a ser pega de surpresa com minha alta. Era uma idéia bacana, mas era óbvio que ainda era só uma idéia - não existia um projeto. Pra piorar, demorou quase 2 semanas pra alguém sentar comigo e explicar o que era. Ou seja, eu passei dias sem nada - mas NADA mesmo - pra fazer. Eu, que antes não parava nem pra almoçar direito, que saía às 8 da noite. Eu ajudava a secretária, tomava café, ficava fuçando a intranet. Percebi que algumas pessoas se incomodavam quando eu subia pra falar com minha antiga equipe. Minha angústia crescia, eu me sentia humilhada, comecei a me esconder no banheiro pra chorar, fugia das pessoas pra não ter de conversar.
Graças a Deus muita gente me dava força - a Renata, querida, que se aproximou de mim durante esse tempo que tentei voltar e ficamos amigas. Ela também estava começando a ter umas crises e em seguida se mudou pra República Dominicana, para morar com o namorado. Uma outra menina também vinha sempre conversar comigo, ela voltou de licença no mesmo dia que eu, estava com depressão, crises de pânico. Mencionei essas pessoas pois não eram tão minhas amigas antes e se aproximaram nesse período. Tinha muito mais gente bacana que me apoiou também. Minha assistente - aquela, que estava afastada por depressão - havia pedido demissão (ou pediu logo em seguida, não lembro).
Os dias foram passando e eu me sentindo pior, pior, pior. Não conseguia mais levantar, óbvio. Dores de cabeça, eu saía cedo, o raio do projeto que não saía da idéia porque ninguém tinha tempo pra ele. É óbvio que todo mundo tinha o que fazer, mas eu não agüentava mais não ter quase nada pra fazer. Eu estava tomando banho à noite pra não perder tempo de manhã, separava as roupas, mesmo assim voltei a afundar. Depois de faltar por quase 2 semanas, me chamaram na empresa e entrei em licença novamente. Mais um fracasso pra minha coleção. Me senti pior do que nunca - fiquei aliviada por não precisar ir trabalhar mas o sentimento de fracasso era tudo. Da outra vez, não me senti tão loser. Afundei.
Escrito por Kris às 15h28
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Na hora que descobri que tinha tido alta fiquei desesperada, ainda mais pelas condições em que isso aconteceu, mas - por incrível que pareça - eu tento, sim, ser otimista, encarar as coisas da melhor forma, ir em frente. Nos dias anteriores à volta me animei, reuni forças, decidi enfrentar da melhor forma. Nada de desânimo, desespero, se era pra voltar, então eu ia tentar. Comprei coisas novas pra levar - agenda, canetas, mouse pad, bloquinhos, porta-retrato. Separei fotos, enfeites, comprei uma roupa nova também. Não contei pra ninguém (fora o Marcelo e o terapeuta), eu não queria um monte de gente atrás de mim me pressionando mais do que o necessário, me enchendo de perguntas. Reorganizei o horário da faxineira pra 2 vezes por semana, me agendei pra voltar pra casa na hora do almoço pra dar uma olhada na Lica, já que ela nunca tinha ficado tanto tempo sozinha. Eu tinha de fazê-la se acostumar aos poucos, senão ela ia destruir a casa. Na segunda eu estava tranqüila - na medida do possível - e organizada pra ir trabalhar no dia seguinte.
Não consegui sair da cama na terça. Estava me sentindo mal, com medo, todo o desespero que eu tinha segurado nos últimos dias veio de uma vez. Lá pelas 9:30-10 horas o telefone tocou. Era a pessoa do RH, que por sinal eu só conhecia por telefone, me perguntando onde eu estava, estava todo mundo me esperando, "com flores e tapete vermelho" (palavras dela). Ok, fiz um esforço, levantei, me arrumei e fui. Cheguei lá morrendo de medo de não ter nem cadeira pra eu sentar. Eu estava com dor de barriga, de estômago, de cabeça, enjoada, querendo mais é sumir. Cheguei no departamento e as pessoas foram super bacanas - aliás, como sempre eram, aquela turminha era muito legal. Minha chefe estava ocupada mas veio me receber também. Arrumei minhas coisas na mesa (sim, eu tinha uma mesa, thank God), subi pra ver minha antiga equipe, que saudade eu tinha delas!
Como eu tinha chegado tarde, todo mundo estava atrás de suas coisas, então fiquei no computador dando uma olhada em e-mails, arrumando umas coisas etc. Na hora do almoço minha chefe me chamou pra conversar com ela e com a gerente de outra área do departamento. Eu contei o que tinha acontecido, telegrama, assinatura da avaliação em branco, a alta-surpresa. Parêntesis: não expliquei bem antes, explico agora. Quando eu passava pela perícia, o médico preenchia alguns formulários e finalizava com um chamado "comunicação de resultado de exame médico". Era o resultado da perícia, onde ele assinalava uma entre 4 conclusões: 1. Não existe incapacidade para o trabalho (o que representa um certificado de capacidade, ou seja, alta); 2. Existe incapacidade para o trabalho até ____; 3. Não existe incapacidade para o trabalho por motivo de moléstia, o caso se enquadra no art. 393 de consolidação das Leis do Trabalho (o que também deve significar alta, eu acho); 4. Existe incapacidade para o trabalho, a data da realização do próximo exame será comunicada ao segurado por ocasião do pagamento do benefício. O médico sempre assinalava a conclusão 4, de acordo com o relatório do meu médico. Em seguida eu assinava. Das últimas vezes, assinei em branco. Na última, recebi alta, como já contei.
Depois do almoço minha chefe falou comigo a sós. Disse que estava percebendo que eu não estava agüentando ficar ali - putz, eu estava me esforçando, caramba. Disse também que não havia mais lugar para mim no departamento. Uma coisa que me doía muito era saber que, logo depois do meu afastamento - menos de 1 mês - já havia outra pessoa no meu lugar. Na empresa, todas as licenças (no departamento, normalmente licenças-maternidade, já que a esmagadora maioria dos funcionários eram mulheres) e férias eram cobertas pelos outros funcionários da área - as tarefas eram redistribuídas, alguém de outra área dava uma força, mas ninguém era deslocado para ocupar outra vaga. Principalmente uma vaga de chefia. Esse assunto é longo, me faz um mal do caralho, por enquanto paro por aqui.
Escrito por Kris às 10h18
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Umas 3 semanas depois de eu entrar em licença - antes de eu saber que tinha problema na tireóide, antes de a Lica chegar - eu ainda estava péssima, estava no chão. E mesmo assim ainda levei um chute no estômago e outro na cabeça. Dentro da minha casa. Chegaram disfarçados de abraços e apoio, mas garantiram que eu ficasse no chão por mais tempo. Vamos fazer uma analogia: você está com dor de barriga porque comeu nozes. Você não sabia que não pode comer nozes - acabou de descobrir. Você conta pra sua família, pros seus amigos. Um dos seus amigos vem te visitar, ver como você está se recuperando. Ele te traz um bolo de chocolate - isso você adora e pode comer! O que você não sabe é que seu amigo colocou nozes na massa, bem disfarçadas, pra você não perceber enquanto estiver comendo. Ele também trouxe uma caixa de bombons. Recheados de laxante.
Eu tentava não pensar tanto nisso, e logo veio o problema da tireóide, o que me distraiu um pouco dessa esquizofrenia.
Uma vez por mês eu passava pela perícia com o médico da empresa. Na época, a empresa tinha um convênio com o INSS e os funcionários afastados não precisavam ir até uma agência. Eu levava um relatório da minha médica e depois do psiquiatra. O médico era estranho, não tinha empatia nenhuma, parecia que queria te chutar do consultório. Eu sempre passava mal antes, um saco. Às vezes pedia pro Marcelo me levar. Todos os meses eu ligava na empresa, no RH, pra saber a data da perícia. Alguns meses se passaram, eu continuava com a terapia, acupuntura, às vezes ia à Federação Espírita, remédios e mais remédios. A essa altura eu tomava uma dose grande de Effexor e também tomava Carbolitium. Pagava pra não sair de casa mas pelo menos já tinha conseguido fazer com que minha mãe parasse de aparecer em casa, o que já era um tormento a menos. Tinha crises de ansiedade, os pesadelos continuavam diários, às vezes ficava com muito medo da chuva (isso me apareceu novamente, essa semana, depois de muito tempo. Que saco.), mas com o Marcelo eu saía no final de semana, a gente ia com a Lica ao Parque Buenos Aires, ao Shopping Frei Caneca, ao Shopping Higienópolis. Eu me cansava facilmente, a gente dava umas paradinhas. Descobri que minha pressão andava muito baixa - às vezes 8 x 5. Recebi uma sacola com algumas coisas da empresa - uns brindes, uns materiais de treinamento - que tristeza que me deu.
Um pouco antes do Natal, enquanto eu estava na acupuntura, a médica - que até então tinha sido super bacana, foi quem me diagnosticou etc - começou a me falar uns absurdos. Veja bem - eu deitada, sem uma parte da roupa, cheia de agulhas espetadas. Ela me disse que eu já estava em licença há alguns meses, que já tinha dado tempo de "descansar", se eu não estava é com preguiça de trabalhar. Disse que pai e mãe a gente não escolhe, mas marido e esposa sim, e desse jeito o Marcelo não ia me agüentar por muito tempo. Me falou mais um monte, felizmente não estou me lembrando agora. Paguei, saí de lá no chão mais uma vez, querendo morrer. Não voltei mais.
Veio o ano novo. Logo no começo procurei um neurologista, pois eu estava tendo muitas crises de enxaqueca, andava meio tonta, caía à toa. EEG, raio-X, nada. No início do ano, minha assistente também foi afastada por depressão. Ela ficou bem mal, nos falamos algumas vezes (nenhuma das duas estava lá muito bem pra conversar, óbvio). Uma outra pessoa que trabalhava com a gente pediu demissão. A terapia não evoluía muito porque eu simplesmente não conseguia falar. É difícil entender, eu sei. Mas é que dói tanto que não sai, fica preso, engasgado. Eu falava de outras coisas. Passou mais um tempinho, na 3a feira de carnaval eu cheguei em casa e tinha um telegrama da empresa informando que minha perícia era na 4a feira de cinzas. Achei estranho porque eu ligava todo mês pra saber quando era - desta vez marcaram mais cedo e ainda informaram por telegrama. Kinda tricky, eu poderia estar viajando - a licença não me proíbe de viajar, não estou em condicional. Fui com o Marcelo, como sempre o médico era estranho e como sempre me disse que "pode ser que eu tivesse alta". Me pediu pra assinar a avaliação em branco, assinei. Não era a 1a vez. Ainda perguntei o que eu deveria fazer, se tinha de ligar pra ele, mas ele disse que, qualquer problema, ele ou o RH me ligariam. No mês seguinte eu ligo pra saber quando é a nova data - se não me engano, liguei numa 5a - e a pessoa do RH responde "Você recebeu alta, volta na 3a que vem". Fico imaginando o que teria acontecido se eu não tivesse ligado. Será que iam me avisar na 2a? Iam ligar na 3a, perguntando onde eu estava? Desnecessário dizer que desliguei o telefone e fui direto pro banheiro, vomitar o que eu nem tinha no estômago.
Escrito por Kris às 09h16
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Esqueci de dizer. Na última sessão antes de voltar da licença, o terapeuta me disse (como sempre) pra eu não voltar fingindo que estava tudo ótimo, me esforçando pra ser toda sorridente, como se eu tivesse tirado 15 dias de férias. Eu tinha tido um colapso, não estava bem e deveria respeitar isso - "chega de fazer tanta força". Me disse pra chegar normalmente, como quem tinha acabado de chegar de licença médica; afinal, era isso que tinha acontecido - eu estava afastada como qualquer funcionário que quebra o pé, sofre uma cirurgia, tem hepatite A - ninguém volta 100%, as pessoas ainda estão se recuperando. O problema é que pra mim é difícil comparar minha doença mental a um problema ortopédico ou infeccioso. Os problemas físicos são exatos, mensuráveis, aparecem nos exames. Os mentais parecem frescura ou loucura, não dá pra alguém examinar meu cérebro, avaliar os níveis de serotonina, noradrenalina, dopamina e dizer: ela tem o problema x, a praxe é tratar de forma y. Se o cara quebrou o pé provavelmente ele vai andar de muletas e tomar antiinflamatórios, se teve hepatite A ainda vai ficar amarelo por um tempo, vai tomar sintomáticos, vai cuidar melhor da higiene. Mas e se teve um colapso nervoso? Vai voltar ao trabalho como? Também está debilitado, mas de que jeito? Se nem eu tinha a resposta, era de se esperar que ninguém soubesse o que fazer. Pra minha sorte, a maioria levou a situação da mesma forma que eu - a mais natural possível; me acolheram, incentivaram, apoiaram. Me atualizaram em relação aos últimos 15 dias, bola pra frente, que bom voltar. Pena que a "pressão" remava contra a maré.
Nas duas semanas seguintes acho que mais faltei do que fui trabalhar. Eu não conseguia levantar da cama, comecei a ter umas enxaquecas absurdas, daquelas de não dar nem pra mexer a cabeça. Sempre tive enxaqueca, mas não com essa freqüência e intensidade. Minha mãe me ligava sem parar, xingava, falava que eu ia perder o emprego com "isso que eu estava fazendo", que aquilo era ridículo. Como sempre, também achava que podia me manipular com frases do tipo "ah, o Marcelo vai ficar tão triste porque você não foi trabalhar...". Incrível ela me achar tão pateta assim pra cair numa dessa. Insultar a minha inteligência me deixava com mais raiva ainda. Quando eu perdia a paciência e parava de atender o telefone, ela aparecia em casa e ainda por cima trazia meus sobrinhos munidos de brinquedos. Eu abria a porta, mas voltava pra cama. Ela me puxava pelo braço, tentava tirar a coberta, dava uns gritos pra eu levantar, xingava, voltava à ladainha de que eu ia perder o emprego, ia ficar sem dinheiro, onde já se viu fazer aquilo etc. Que alívio quando finalmente ela tinha de ir embora pra levar os meninos pra escola. Coitados, não estavam entendendo nada.
Evidentemente entrei novamente em licença. Eu não tinha me tocado de que a troca dos remédios me deixou um tempo sem efeito terapêutico nenhum, o que também contribuiu pra eu ficar tão mal. Agora eu estava em licença pelo INSS, já que eu estava há mais de 15 dias longe do trabalho. O Marcelo às vezes saía mais tarde ou voltava mais cedo pra ficar comigo. Minha mãe estava até pior. Além de continuar ligando sem parar e aparecendo a toda hora, ela começou a inventar teorias para as causas da depressão ou então sugerir formas de cura. Uma hora a culpa era do 11 de setembro, outra hora eu deveria me internar de vez. Eu ia até a casa dela às vezes, pedia a ela pra me acompanhar até alguns lugares, mas ela invadia muito, isso estava me deixando (mais) louca. Meus irmãos e meu pai sempre me ligavam, alguns parentes também, meus amigos e algumas pessoas do trabalho vieram me visitar. A essa altura eu já tinha voltado a sonhar, mas agora só tinha pesadelos: todas as noites, mesmo assunto. Nesse período eu cismei que queria um cachorro pra me fazer companhia. Eu estava sem coragem de ter cachorro porque sofri demais quando os meus morreram, mas achei que era uma boa hora. Convenci o Marcelo por algumas semanas e finalmente fomos até a feirinha que tem ao lado do parque Villa Lobos. De lá voltamos com a Lica, ela tinha uns 45 dias. Fiquei tão feliz! Há tanto tempo eu não ria, fiquei tão contente. Ela dormia boa parte do tempo e gostava de dormir com a barriga no meu pescoço, parecia um cachecol.
A médica aumentou a dose do Effexor mas me pediu pra procurar o psiquiatra, ela não estava dando conta. Consegui marcar uma consulta na mesma semana. Um psiquiatra super bom, da Escola Paulista. Aumentou mais a dose do remédio, receitou Wellbutrin também. Durante o exame clínico, ele me olhou e disse "engole". Engoli. Ele ficou olhando pro meu pescoço, pediu pra repetir e disse "acho que você tem um nódulo na tireóide. Vou te pedir uma ultrassonografia, mas já procure um endocrinologista". Fiz o ultrassom, a droga do nódulo estava lá. Marquei a consulta com uma endocrino do convênio, ela me pediu uma PAAF (punção aspirativa com agulha fina). O exame consiste em um médico enfiando uma agulha no seu pescoço pra colher material do nódulo. 3 vezes. Sem anestesia. É muito incômodo. Peguei o resultado pela internet - "blá blá blá neoplasia". Gelei. Liguei pro Marcelo, ele veio pra casa pra me levar na endocrino. Ela me falou um monte de besteiras - gente, que médica ruim, não sabia naaaaada, nunca vi - mas me disse pra procurar um cirurgião de cabeça e pescoço. Pesquisei no convênio, queria alguém que operasse no São Luiz e lá fui eu. Um cara super bacana, na hora já marcamos a cirurgia pra dali 1 mês. A Lica ficou com a minha irmã, proibi todo mundo de aparecer no hospital antes e durante a cirurgia - o Marcelo ia ligar quando eu saísse do CC. Foi tudo ótimo, equipe excelente, hospital nota 10. Tiraram a tireóide toda. O exame não foi conclusivo pra saber se era maligno ou não, então eu teria de esperar mais alguns dias. As enfermeiras riam porque eu não queria ficar de pijama, ficava de roupa, passava lápis e batom, hihi. Passei só uma noite lá (com o Marcelo, claro); no dia seguinte, fomos almoçar no America antes de voltar pra casa. Me recuperei totalmente e em menos de 1 semana o médico ligou pra avisar que eu não ia precisar da dose terapêutica de iodo: o nódulo tinha características malignas mas estava encapsulado, portanto não tinha espalhado nada. Maravilha.
Escrito por Kris às 13h30
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Eu não tinha como disfarçar o fato de estar em licença, então tive de contar pra minha mãe o que estava acontecendo. Believe me, se você tivesse uma mãe como a minha, você também não contaria a ela até o último minuto. Tudo de que eu não precisava era uma pessoa como ela me azucrinando, mas não teve jeito. Minha médica e a médica da empresa avisaram a mim e ao Marcelo que eu não podia ficar sozinha e me disseram que iriam me ligar durante o dia pra ter certeza de que eu não estava sozinha em casa. Claro que não me disseram que estavam com receio de que eu me suicidasse. Decidi então ir pra casa dos meus pais à tarde. Uma tortura. Eu não queria me matar, eu queria ficar sozinha, na MINHA casa, quietinha. Ter de ir pra lá, onde eu ficava pouquíssimo à vontade, com ela na minha cola, com crianças bagunçando, sem um minuto de sossego, foi péssimo.
O Luiz me pediu pra levar o Marcelo em uma sessão da terapia, já que de uma hora pra outra eu tinha desabado, nunca tinha feito terapia, agora estava dividindo meus problemas com um homem desconhecido e nem sabia direito o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo que foi bom, também foi esquisito e até meio constrangedor. Sem dúvida ajudou o Marcelo a entender melhor a situação. Me lembro bem de quando ele disse pro Marcelo que ele poderia me ajudar me dando a mão quando eu pedisse ajuda, mas tentar ajudar puxando minha mão era a pior coisa que ele podia fazer. O Marcelo falou que achava que eu estava imitando o que eu lia no livro. O Luiz disse que não, eu não estava fazendo isso, mas que de qualquer forma eu poderia dizer a macaquice que eu quisesse durante as sessões - ele saberia filtrar as coisas.
No fim da licença de 15 dias havia um feriado prolongado, 1º de maio. Não me lembro bem, mas acho que já havíamos nos programado antes da licença pra viajar pra Campos do Jordão. Foi bem bacana, na última hora compramos ingressos e fomos a dois shows. Um dos Beatles' Songs com a filarmônica de Campos no Grande Hotel do SENAC. Outro do Nando Reis no Auditório Cláudio Santoro. Dei um pouco de trabalho pro Marcelo pra sair do hotel, mas o feriado foi ótimo.
Como eu estava sentindo muitos efeitos colaterais com o antidepressivo (Tryptanol) que eu estava tomando, durante o feriado parei de tomá-lo para começar com o Effexor em seguida. Eu estava tomando uma dose pequena de Tryptanol, não estava fazendo efeito e não dava pra aumentar, pois eu tinha um sono incontrolável, de desmaiar mesmo. O feriado terminava na terça e voltei ao trabalho na quarta. Eu estava mal mas trabalhei a manhã toda e já havia avisado que ia à médica à tarde. Acupuntura, choro compulsivo, nada novo. Meu pai havia me levado até lá. Na volta, bateram no carro dele. Já faz mais de 30 anos que eu ando de carro com meu pai e essa foi a primeira - e última, so far - vez que bateram no carro dele comigo dentro. Como eu me senti? Péssima, claro. Ele estava naquele cruzamento naquela hora porque ele foi me levar à médica. Eu não abri a boca: bateu, saiu, conversou, trocou telefone, entrou, dirigiu. Eu só queria sumir, voltar pra minha casa, deitar no meu sofá. Nos 2 dias seguintes consegui ir trabalhar, mas esses 3 dias foram terríveis. Cheguei tarde, saí cedo. A "pressão" continuava, agora de maneira diferente.
Não sabe lidar com um deprimido? Fácil: ignore-o. E assegure-se de dizer isso pra ele.
Escrito por Kris às 10h02
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Há muito tempo eu não sentia um alívio tão grande como senti quando entrei em licença. Eu queria um tempo, respirar, colocar as idéias em ordem. Ainda não mencionei o Marcelo na história, mas ele foi (e é) essencial nisso tudo. Sem ele, não sei onde eu estaria hoje, mas certamente estaria em algum lugar bem pior. Muitas coisas ele não entende, mas se esforça pra tentar entender e aceitar. Pra mim foi muito difícil entender a depressão e continua sendo muito difícil aceitar - imagino o que deve ser pra ele. Ele segurou minha onda quando eu estava pior, no fundo do poço, quando eu não queria nem levantar da cama. Agüentou choradeiras sem fim, mudanças de humor equivalentes a 40 TPMs, ataques raivosos, respostas atravessadas, trombas e crises de choro por causa de comentários que, em estado normal, eu não daria bola. Deixou de ir a lugares que ele queria, teve de ir sozinho a outros e, quando eu ia junto, me trazia pra casa assim que eu pedia. Muitas vezes chegou em casa tarde, depois de trabalhar pra caramba, não encontrou nada pra jantar e se virou com qualquer coisa. Pra ser sincera - e justa - ele ainda faz isso tudo. Já faz uns 3 anos que essa insanidade começou. Durante todo esse tempo, ele perdeu a paciência uma vez só.
Uma amiga querida, que tem um caso de depressão na família e é casada com um psiquiatra, estava me dando uma força logo antes da licença e me indicou o livro "O Demônio do Meio-Dia - Uma Anatomia da Depressão", de Andrew Solomon. Quem lê meu blog há mais tempo já leu trechos do livro aqui. Esta reportagem da Época traz trechos do livro. Foi uma ajuda e tanto. Eu gosto de ler, mas um livro nunca tinha me influenciado tanto. Comecei a entender o que estava acontecendo, me identifiquei com muitas histórias. Alguém escreveu o que eu estava sentindo e que eu não conseguia dizer, não sabia dizer, eu não tinha aquelas palavras na minha cabeça. Só doía. Eu continuava na psicanálise, ia 2 ou 3 vezes por semana. Desde o começo, o Luiz (terapeuta) me falava "menina, pára de fazer força". Ele me dizia pra parar de fazer força pra não chorar, pra ficar melhor, pra trabalhar, pra sorrir, pra sair, pra levantar de manhã. Depois de um tempo eu me dei conta de que realmente eu me obrigava a tudo, fazia uma força desgraçada. Meu nível de auto-exigência é bem maior do que o da maioria das pessoas que eu conheço. Com o desânimo que eu estava sentindo, com a dificuldade que eu encontrava pra fazer as coisas mais simples, eu exigia mais de mim ainda. Me sentia uma folgada por levantar tarde pra ir pro trabalho, por não cozinhar mais (sim, eu adoro cozinhar), por não cuidar direito da minha casa e do meu amor. E, claro, me sentia culpada pra caralho.
Finalmente fui me dando conta de que estava mergulhada nessa merda até a cabeça e estava me afogando. Aos poucos fui parando de - como dizia o Luiz - fazer força. Ele dizia pra eu não me obrigar a fazer as coisas - ir a uma festa, um happy hour, sair no sábado à noite só-porque-eu-sempre-gostei-de-sair. Também dizia pra eu parar de me esforçar pra fingir que estava bem, pra eu não ficar segurando o choro, pra ficar quieta se eu quisesse. Conforme ia encarando gradativamente a depressão, parei de chorar escondido e chorava quando tinha vontade (antes eu esperava o Marcelo dormir pra chorar no banheiro), comecei a falar sobre algumas coisas que estavam me atormentando, parei de sair de casa etc. Baixei a guarda, parei de fingir, estava me sentindo um pouco menos pior. Estava aliviada por parar de fazer tanta força, por ter um tempo pra respirar e descansar, por poder ficar menos engasgada. O problema é que o Marcelo se assustou com isso e entendeu tudo ao contrário; ele achava que eu estava piorando muito por ter parado de trabalhar, que a licença tinha sido uma péssima idéia. Ele achava que eu estava imitando as coisas que eu lia no livro. Achei um absurdo ele pensar assim, me senti (mais uma vez) incompreendida. Depois de alguns meses entendi perfeitamente. Uma hora eu estava, sim, deprimida, mas estava medicada, trabalhando, levando minha vida "normalmente". Aos olhos dele, a depressão estava me afetando de forma sutil. Na hora seguinte eu estava chorando sem parar, longe do trabalho que eu adorava, enfurnada em casa, deitada na cama até as 3 da tarde, sem vontade de fazer nada. Eu estava me sentindo melhor, mas aos olhos dele eu estava muito pior.
Escrito por Kris às 15h11
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O que eu não me dei conta é que o que estava me matando por dentro era justamente o trabalho. Ou melhor, não o trabalho em si - dele eu gostava, sabia o que estava fazendo e tinha um time bacana que trabalhava muito bem. Claro que havia problemas, todo mundo tem. Não vou entrar em detalhes, mas o que eu não estava agüentando era o que vou chamar de pressão. Não percebi que estava chegando no meu limite. Uma pessoa comentou comigo que estava fazendo sessões de acupuntura e decidi fazer também. Comecei a fazer sessões com uma médica. A primeira consulta foi demorada, falamos bastante; em seguida, fiz vários exames pra ter certeza que estava tudo bem: de exame de sangue a ECG. Tudo ok. Durante as aplicações de acupuntura eu chorava que nem louca, não sabia o porquê, só chorava. Falava que eu estava cansada; às vezes, eu pegava um banquinho pra tomar banho sentada, eu não agüentava ficar em pé. Comecei a demorar mais pra arrumar a cama antes de sair pro trabalho, porque eu tinha de sentar enquanto estendia o lençol. Falava que estava me sentindo culpada porque não cuidava direito do Marcelo, não tinha mais ânimo pra cozinhar, deixava a roupa suja acumular no cesto. Depois eu descobri que a culpa é um sentimento que acompanha a pessoa deprimida - você se sente culpado 100% do tempo. Por tudo. Comecei a me lembrar de coisas bobas que haviam acontecido há muito tempo, das quais eu já tinha esquecido, mas agora voltavam à minha memória e me faziam sentir culpada ou com vergonha de mim. Bobagens, coisas até da minha infância, imagina.
Um dia a médica me perguntou "Kris, você não acha que você está deprimida?". Desabei. Que raiva de ter de admitir que sim. Que vergonha de ter chegado a esse ponto. Sempre me achei forte, decidida. Eu estava me sentindo muito, muito mal. Ela me receitou um antidepressivo. Mesmo não sendo psiquiatra, havia feito 2 anos de residência em psiquiatria. O combinado era que se eu não melhorasse, eu teria de consultar um psiquiatra, colega dela. Também me indicou um terapeuta, uma pessoa muito especial, que mora no meu coração. Comecei a fazer psicanálise. Eu chorava o tempo inteiro, quase não conseguia falar e o que saía não era muito. Na psicanálise você fala livremente, não há regras como "hoje vamos falar disto". Como era muito difícil, doía muito falar, boa parte da sessão eu conversava sobre outras coisas. Viagens, livros, filmes, comida. Quando eu falava sobre minhas culpas, frustrações, a "pressão", eu chorava demais, saía arrasada, sem energia.
Nesse período a "pressão" ficou insuportável depois de alguns acontecimentos. Eu estava desesperada. A médica da empresa me procurou e disse que eu deveria tirar 15 dias de licença. Fiquei mais desesperada ainda mas aceitei. No dia seguinte adiantei o trabalho, organizei as coisas e fui pra casa com a certeza de que em 15 dias eu estaria nova.
Escrito por Kris às 13h31
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Eu não percebi que estava entrando em depressão e demorei vários meses pra pedir ajuda. Achei que estava estressada, então comecei a procurar médicos - clínico geral, endocrino, ginecologista, gastroenterologista. Tudo certo, exames ok, fiz até endoscopia. Até aí eu não percebia que era um absurdo eu dormir demais, comer demais (sempre fui dorminhoca e boa de garfo), vomitar sem motivo aparente, sentir o estômago doer a toda hora, ter dor de barriga uma vez por semana, deitar a cabeça no travesseiro e pedir pra não acordar no dia seguinte. Eu só queria sumir, desaparecer de vez. Eu não sonhava mais enquanto dormia, e nem disso me dei conta. Sempre fui saideira, topa-tudo, e comecei a dar canos nos meus amigos. Eu e o Marcelo íamos pra praia todo final de semana e de repente paramos de ir porque eu não queria mais. Tinha uns ataques de raiva por coisas ridículas - quem me conhece sabe que não sou disso, e muitas vezes a raiva era de mim. Sempre fui bastante exigente comigo, mas quando eu fazia alguma coisa errada eu queria me estapear. Coisa errada do tipo achar que minha comida ficou sem gosto ou esquecer de pagar uma conta. Não ria mais como antes, não ria mais de mim, das minhas trapalhadas - ficava com raiva ou com vergonha. Comecei a achar meu cabelo horrível, meu corpo um lixo, minha casa mal cuidada, o Marcelo sem a atenção que ele merece.
Eu estava, sim, satisfeita com o meu trabalho. Terminamos o ano de 2002 com todas as metas cumpridas ou superadas, meu time todo recebeu bônus de 100% ou mais (eu coordenava uma área do departamento com cerca de 12 pessoas). Depois de alguns anos colocando a casa em ordem devido a duas fusões com outras empresas, 2002 foi um ano em que fizemos muitas inovações, participamos de projetos novos e bacanas, muitos criados por nós e muitos por convite de outros departamentos e áreas. Estávamos nos integrando cada vez mais. Desde que comecei a trabalhar lá, minhas avaliações de desempenho sempre foram excelentes e, nesse ano, não foi diferente. A empresa tem um sistema de avaliação bastante interessante e muito bacana; além das metas (que trazem o bônus de final de ano), os indicadores do desempenho são habilidades técnicas e competências (para quem não conhece, as competências se referem basicamente ao seu comportamento, suas atitudes). Imagino que a maioria das grandes empresas atualmente avalie seus funcionários dessa forma. Long story short, esses indicadores não são analisados no chutômetro: durante o ano, você anota situações nas quais você sabe que os utilizou e, durante a avaliação, apresenta os exemplos que melhor indiquem seu conhecimento e aplicação. Me lembro bem da última. Eu tinha bastante coisa pra apresentar.
Depois eu continuo. Esse post já está muito longo.
Escrito por Kris às 14h05
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Estou cansada de viver desse jeito. Estou cansada de tomar antidepressivos, ansiolíticos, hipnóticos. Estou cansada de ter pesadelos quase todas as noites, com as mesmas pessoas e as mesmas situações. Estou cansada das pessoas que acham que sabem o que é depressão e ficam me enchendo o saco com psicologia de livro de auto-ajuda. Estou cansada das que bancam Poliana e ficam dizendo "Você está ótima! Você não acha? Não, me fala a verdade: você não está bem melhor?". O que a pessoa espera? Que eu responda "Não, estou na mesma merda, por quê? Na verdade, acho que eu estou até pior. Ah, e também estou gorda, minhas roupas não fecham mais. E você podia sumir da minha frente."?
Desde que cheguei em Marília fico fingindo que estou bem. Fico com vergonha de contar pras pessoas que estou em licença, então eu minto que parei de trabalhar pra vir pra cá com o Marcelo. Até meus posts estão ridículos, já que não escrevo sobre nada que eu realmente esteja a fim de escrever. Me recuso a ser dona de casa, o que às vezes irrita o Marcelo por causa de louça na pia ou chão sujo. Duas vezes ele me disse que eu não faço nada o dia inteiro, só faço comida e lavo roupa. Doeu. Eu fico nessa angústia de não conseguir voltar a trabalhar, de ter de ir ao médico, passar a humilhação que é ter de ir a uma agência do INSS. Tenho de ir no começo de março, estou sofrendo desde dezembro. Me sinto culpada de estar em licença há tanto tempo - parece que estou abusando da empresa, sei lá - mas por outro lado não vejo saída, já que só a idéia de entrar no escritório (ou em qualquer outro) me revira o estômago, me dá vontade de vomitar de nervoso. Nessa semana eu chorei no meio do supermercado, depois de um promotor da Knorr me abordar por causa de uma promoção. Depois achei que eu ia vomitar. Depois não me lembro direito. Lembro que fugi da promotora da Hellmann's. Às vezes só consigo dormir com remédio, de tanto que minha cabeça não pára, de tantas coisas que ficam martelando. Me sinto muito mal quando as pessoas falam de trabalho, me sinto um lixo. E tem gente que fala disso 80% do tempo. Tenho a sensação de que estou emburrecendo. Não tenho mais assunto, já que fico em casa o dia inteiro.
O tempo está passando, daqui a pouco a bomba explode. Aí eu não sei como vai ser.
Escrito por Kris às 22h26
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The most macarrônico spanish ever. Liguei pro Marcelo na Colômbia, sabia que ele provavelmente não teria chegado de uma viagem por lá, mas a recepcionista atendeu no 4º toque - me pegou de surpresa... Não falei portunhol não, blééé. Mas fiquei num "hablo de Brasil, no hablo bien el español..." que foi de lascar. Deixei um recado. 
Escrito por Kris às 22h23
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Hoje fui pra aula de pilates e, quando estava chegando em casa, meu celular vibrou - durante a aula, eu deixo no "vibra", já que eu acho o fim parar a aula pra atender. Como é o único telefone que tenho em Marília, não desligo nunca, assim sei se alguém me ligou. Então. Não atendi a tempo e, quando fui verificar as chamadas, tinha umas 10 não atendidas. A última era do meu irmão - estranhíssimo. Liguei pra ele e ele me diz que caralho, minha mãe estava chorando porque eu tinha sumido, caralho, estava desesperada, caralho, você sabe a mãe que você tem. Falei que eu estava na aula e que a porra da aula dura só uma hora, caralho! Parêntesis: como homem gosta desse palavrão. Usam como vírgula. E eu e meu irmão temos a mesma mãe. Fecha parêntesis. Ele ligou pra ela usando aquele negócio que 3 pessoas podem falar juntas, falei oi, comentei que estava na aula. Ela me ligou em seguida, NÃO COMENTOU O ASSUNTO e ainda por cima MENTIU. "Oi filha, tudo bem? Você não estava atendendo o telefone, achei que você devia estar na internet. E as cachorras? Tá chovendo aí? Ah, então tá bom.".
Não dá pra agüentar. E se alguém comentar que "mãe é tudo igual, só muda de endereço", eu rogo a pior praga que me vier à cabeça no momento. Seriously.
Escrito por Kris às 17h15
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Decidi pedir um sanduíche pra jantar. A faxineira veio hoje, o fogão está limpinho, portanto nunca quero cozinhar às quartas. Eu ia sair pra comprar, mas caiu a maior chuva - entrou água pelas janelas da sala, o chão ficou encharcado. Anyhoo. Liguei pro Chaplin: "Boa noite, queria fazer um pedido, yada yada yada. Como é esse sanduíche - socialista?"
Ela: Pão francês, filé, mussarela e tomate.
Eu: E o bauru de filé?
Ela: Também é pão francês, filé, mussarela e tomate.
Eu: ...
Ela: O socialista é um dos sanduíches que a gente mais vende, é muito bom.
Então tá. Mesmo sem entender - estou na dúvida até agora - pedi o socialista. Realmente é ótimo. E enorme. Ai, meu regime. 
Escrito por Kris às 18h20
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Ontem tive outra aula de Pilates e - guess what? Desta vez errei o caminho de ida. Sem comentários. Conversa vai, conversa vem, eu e a instrutora (é instrutora? professora? não sei) descobrimos que moramos na mesma rua. Ela me contou que vivia aqui quando era criança, já que uma das melhores amigas dela morava nessa casa. Que coincidência!
De manhã, antes da aula, fui me aventurar no centro da cidade. Estava atrás de uma calça pra ginástica. Eu comprei uma legging, mas não gosto muito, queria uma calça soltinha, mais confortável pra aula e pra andar na rua. Gostei de ir ao centro - sem camelôs, sem trombadinhas, balconistas educados. Mesmo assim estou com uma saudade da minha casa, do Shopping Frei Caneca, do parque Buenos Aires...
Escrito por Kris às 12h50
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Está chovendo bastante nos últimos dias, o clima está fresco, faz 2 dias que não escorro de suor nem acordo com o travesseiro molhado. O tempo está feio e as cachorras não podem ir pro quintal, que fica todo molhado. Nem está frio, mas elas dormem enroladinhas, a Gabi e a Lica embaixo do edredom, tão bonitinhas!
Ontem, quando eu acordei, senti o efeito da aula de pilates na 5a. Valeu meu esforço e estou animada. Marquei minha próxima aula pra terça.
Escrito por Kris às 10h21
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Pilates
Voltei da aula agora há pouco e adorei. Pra quem não gosta de clima de academia - aquela música alta, 40 repetições pra cada exercício, você quase morrendo e o instrutor berrando "Vai! Você consegue! Só mais 15! Não pára! Você não tá se esforçando! 5, 6, 7, 8! Vamo lá!", suando bicas, vale a pena. Os exercícios são de força, fazendo devagar, música baixa e suave, concentrando na contagem - o professor não conta na sua orelha, você tem de prestar atenção e saber onde você está. Voltei pra casa com os ombros pra fora e abdome contraído. Me preocupei tanto com isso que errei o caminho - ao invés de virar à direita na minha rua, virei à esquerda, hahaha! Isso porque eu já estava no quarteirão de casa.
Escrito por Kris às 15h57
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Ontem saí pra comprar 2 calças pro Marcelo. Na terça à noite passamos na frente de uma loja, ele gostou de uma calça que estava na vitrine e ontem fui até lá. Quer dizer, quem disse que eu achei a loja? Fica na av. das Esmeraldas, passamos em frente pelo menos 2 vezes por semana, e ontem fiquei que nem barata tonta e não achei. Fui ao shopping, tem uma loja bacana de roupas masculinas lá, mas eu nunca tinha entrado. Achei alguns modelos e liguei pra ele pra perguntar qual cor ele queria, etc. Enquanto eu estava no telefone, a vendedora pergunta:
Por que você não leva todas pra ele experimentar e escolher qual ele quer?
Eu: ???
O Marcelo já tinha dito quais ele queria, desliguei o telefone.
Ela: Você leva todas, ele experimenta, vê de qual ele gosta, aí você traz as calças e compra a que ele gostou.
Escolhi o que eu ia trazer e queria deixar caução, minha identidade, sei lá. A vendedora, que também é de Sampa e está em Marília há alguns anos, respondeu tranqüilamente: "Relaxa, agora você está no interior. Você está em Marília". Ela queria que eu trouxesse outros números, camisas, camisetas pólo, eu nem ia conseguir carregar!
Cheguei em casa e comentei com a faxineira que eu achei o máximo poder trazer as roupas pra escolher e depois devolver. Ela, que não consegue me chamar de Kristine, responde: "Ué, Cristiane, mas em São Paulo não pode levar a roupa pra casa pra escolher? Nossa..." Ou seja - ontem a estranha era eu, hahahaha!
As calças mais bonitas ficaram legais, eu marquei as barras (gente, reza aí pra ter ficado bom) e cheguei na loja logo antes de fechar. Ficam prontas hoje mesmo! Que maravilha.
Aproveitando o stroll, marquei uma aula de pilates em um estúdio aqui pertinho. Faz tempo que eu queria experimentar, mas perto da minha casa de Sampa não tinha nada e, além disso, nos lugares que eu consultei a aula custava entre 80 e 100 reais. A esse preço, impossível. Aqui é bem mais barato.
Troquei a cama de lugar e coloquei a cabeceira na janela, pra ver se ficava mais fresquinho pra dormir. Acordei com a chuva caindo na minha cabeça!!!
Escrito por Kris às 08h19
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Putz, que desânimo.
Escrito por Kris às 10h10
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Estou com a pá virada. E desta vez não é TPM. Pra completar, o Marcelo vai viajar na sexta e só volta no outro domingo. Depois do Carnaval tenho de ir pra Sampa - médico, banco, INSS - só coisa booooa!
Também estou meio passada porque nos últimos dias recebi cada notícia de animais abandonados, maltratados, um absurdo... Já falei aqui que participo de listas de protetores, ajudo alguns e ajudo algumas ONGs. Mas está demais. Você consegue ajudar 1, aparecem mais 8. Entre a semana passada e essa, uns 80% das mensagens que recebi eram de cachorros de raça. Esses dois foram encontrados em uma praça e, dentre várias coisas, nem andavam mais de tão debilitados - não conseguiam comer a ração que a protetora levava. A foto foi tirada algum tempo depois do resgate.

Escrito por Kris às 23h05
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Preguiça de escrever...
mas eu quero saber se somos só eu e o Marcelo que implicamos com JK. Gente, o que é aquilo? A Marília Pera (Pêra? Não sei) fazendo papel de uma mulher de, no máximo, 35 anos, com uma filha que deveria ser neta, com a Eva Wilma (será que esse nome eu acertei?) como MÃE dela... Muito mal dirigida, fala aos soquinhos, tentando imitar a Débora Falabella (?). E a parte do elenco que não envelheceu? Eu já achei a minissérie bem mal dirigida no começo, adoro o Wagner Moura e achei que ele não estava bem, li que alguns personagens são fictícios - o que não entra muito na minha cabeça, já que o objetivo é retratar a vida do Juscelino - mas vamos lá, continuei acompanhando. Está terrível! E a Debora Bloch? Também adoro, mas o Didi imitando a Maria Bethânia é melhor do que ela imitando a Rita Hayworth. Am I too picky? Ou realmente está sofrível?
Escrito por Kris às 17h17
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Hoje à tarde fui ao mercado. Sou só eu ou todo mundo presta atenção no conteúdo do carrinho da frente? Eu queria saber por que as pessoas compram tanta vagem. Nunca comi um prato onde a vagem fosse imprescindível. Não acho ruim - mas também não acho bom. E olha que eu ADORO experimentar coisas novas, já comi até larvas de formiga fritas. Chuchu não tem gosto de nada, segundo o Marcelo é o quarto estado da matéria, mancha as mãos quando você descasca, mas camarão com chuchu é bom e suflê de chuchu é so-so. Quiabo tem baba mas refogado e bem temperado é ótimo. Quem já comeu o estribinho de carne seca do Tordesilhas sabe que jiló também pode ser uma delícia. Tudo bem comprar cenoura, batata, berinjela, abobrinha, tomate, mandioca - mas vagem? Um sacão de quase 1Kg? Onde as pessoas usam isso? Nunca fui à casa de uma pessoa que tenha me servido vagem.
Outra coisa é a quantidade de óleo que as pessoas compram. O carrinho está pela metade e tem 8 embalagens de óleo. E a família "não come fritura". Eu conheço gente que cozinha feijão com água e óleo (é, na pressão), tempera bife com sal e óleo (e orégano, ugh) - aliás, tempera qualquer carne com óleo e mais alguma coisa. Lombo com limão, sal e óleo. Frango com alho, limão, sal e óleo. Ah, também há o clássico: cozinhar macarrão com água, sal e (um pouco de?) óleo.
Há mais uma coisa que eu não entendo: flip-flops. Por que os homens compram chinelos (normalmente havaianas) menores do que seus pés? Eles não sabem ler o número impresso na sandália? Ou eles andam 24x7 de chinelos e não usam sapatos? Se usam sapatos, são menores do que seus pés também? 90% das vezes que vejo um homem de chinelo, o chinelo é menor do que o pé. Por quê? Alguém pode me explicar?
Escrito por Kris às 21h01
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